segunda-feira, 23 de março de 2009

O principio da Incerteza*


Doi!
E doi tanto ver-te aconchegastes em braços estes que não são os teus.

(O que serás que pensas?)

Doi!
E doi ver aquele riso prometido a ti, flutuar até olhos até então estranhos.

Doi!
E doi ouvir da tua fiel escudeira palavras mudas que irão te por à prova.
Uma prova onde você sairá como um scaramouch, ou quem sabe um animador.

Tanto faz...
Cedo ou tarde alguem rirá de você meu grande e (iludido?) amigo.

Doi!
Doi observar o congelamento digital do tempo. È você que estará lá? Verás!
E na (tua?) nuca a ti ofertada repousa a mão do absurdo.
Reconhes tais falanges na cabeleira farta? (e elas também não são tuas...)

"Passeio" da fama?
Prêmio Framboesa?
Bem vindo ao clube!
Pegue teu assento e assista ao teu suicidio.
Pombos correios já não funcionam mais.
(Voz pelo ar também não!)

Greve geral?
Não...
A crise bateu a tua porta irmão.
Ninguém te quer mais aqui. (pelo menos até o final do espediente)
Ah! Lembre-se!
Terás que correr atrás do chefe.
Ele concerteza não irá atrás de ti.

A sensação de inutilidade e descaso não chega ao acaso.
Ela vem de preto para aquecer a pele que você acostumou-se a proteger.

Mais nada pior que um toque de lábios no cerebro alheio.
Nada pior que tentaculos nas curvas onde tu aprendestes a caminhar e a se encontrar.

Doi demais?
A dor é louca!
Doentia!
Perversa!
Afinal, "o que é que tem?".

E na dor repousa o principio da Incerteza de Heisenberg*
Ainda hei de unifica-la a outras teorias incertezas (outras nem tanto) para enfim
medir o teu destino e quem sabe o meu.


*Segundo o princípio da incerteza, não se pode conhecer com precisão absoluta a posição ou o momento (e, portanto, a velocidade) de uma partícula. Isto acontece porque para medir qualquer um desses valores acabamos os alterando, e isto não é uma questão de medição, mas sim de física quântica e da natureza das partículas.

Um comentário:

Traveler disse...

Porra man, muito profundo e bonito isso ai. A incerteza, ela sempre vem ferroar nosso corpo com o seu veneno de realidade, nos fazer perder o sono e deixar de ver o que ainda poderia persistir...